domingo, 25 de janeiro de 2015

Recordar

A 23 de maio de 2012, a minha vida era diferente. Trabalhava noutra escola, os colegas eram outros e desempenhava funções diferentes das que desempenho atualmente. 
Hoje, andei a fazer limpeza aos rascunhos do blogue. Apaguei alguns posts começados, ou porque não gostava da fotografia ou simplesmente porque deixaram de fazer sentido. Mas reler os rascunhos do blogue é recordar um bocadinho a nossa vida. As pessoas com quem convivíamos diariamente, as rotinas de outros tempos, episódios dos três e quatro anos do Manel, que já nos deixam saudades. Há quase três anos, eu escrevia isto: "O meu menino está a crescer muito depressa. Está a deixar de ser bebé. Já lá vai o tempo em que nós dizíamos “Mamã” e “Papá”, ele repetia e nós ficávamos embevecidos com as primeiras palavras do nosso rebento. Ouvíamos com ele as músicas para bebés do Raymond Lap. E ele cheirava a bebé. Já não cheira a bébé. Cheira a um menino que anda por aí a correr e a transpirar. Diz frases complexas. A lista de vocabulário está mais vasta. Tanto diz Gosto muito de ti. como, se não está contente, És egoísta!. A música vai variando. Ainda ouve Raymond Lap, juntamente com o que vamos ouvindo cá em casa. Absorve tudo. Tanto ouve (e aprecia) Madredeus como músicas de filmes da Disney ou do Jim Jam." Passado este tempo, tenho saudades da altura em que o Manel estava a aprender a dizer frases complexas e em que não dizia que o Jim Jam é um canal para bebés :)

No meio dos posts antigos, encontrei esta receita de salmão, de há quase três anos. 
Não a faço muitas vezes, porque o meu marido não gosta do doce do mel combinado com o sabor do salmão. No entanto, a combinação do mel e da mostarda, mesmo não agradando a todos os palatos, é uma combinação feliz. Para além disso, esta é uma daquelas receitas fáceis e rápidas, sempre úteis num repertório de cozinha. A dica foi-me dada pela Ivone, na sala de professores da minha antiga escola, provavelmente perto da hora de almoço, quando as conversas sobre comida começavam :)

Ficam as flores deste fim de semana e receita de há quase três anos :)



Salmão grelhado 
com mel e mostarda de estragão


3 postas de salmão (ou lombos)
1 colher de chá de mostarda de estragão (ou de Dijon)
1 colher de chá de mel (um pouco menos de quantidade do que de mostarda)
sal e pimenta a gosto

Temperar o peixe com sal e pimenta. Reservar.
Aquecer o grelhador. Quando estiver bem quente, pôr o peixe na grelha. Pincelar com a mistura de mel e mostarda e deixar grelhar.

Acompanhei o meu salmão com batata-doce cozida. Servi o deles com batatas cozidas, pois o pai não gosta de batata doce e contagiou o filho (Este parágrafo foi copiado do post original. Há coisas que se mantêm: passados três anos, muita coisa mudou, mas os meus homens continuam a não gostar de batata doce :)

domingo, 18 de janeiro de 2015

Os meus lugares

Gosto de fazer as compras nos meus lugares de sempre. Flores, no senhor Moisés, mesmo ao pé da escola. Já me conhece e sabe do que gosto. Para a semana, recebemos tulipas. Tenho ali umas rosas muito bonitas. Requeijão, na Quinta dos Açores, muitas vezes, quando vou almoçar, a meio de um dia de trabalho. Às vezes, trago verduras locais. Outras, bolos lêvedos, para o lanche ou o pequeno-almoço do dia seguinte. Aos sábados de manhã, trago mais, da Bioazórica. A carne vem do Talho de Santa Catarina, também a caminho de casa. Vou lá desde que abriu. Para além da qualidade da carne, somos recebidos com aquela simpatia especial que se encontra nos lugares pequenos e familiares. É frequente, depois do trabalho, parar lá. Compro o que preciso para o jantar daquele dia. Carne, ovos caseiros. Às vezes, até o vinho vem de lá. Troco dois dedos de conversa com o dono e com as funcionárias, que me perguntam pelo menino e pela escola. E eu pergunto pela bebé. E trocamos dicas, de culinária, de filhos e de outras coisas mais. 
Um destes dias, sugeriram-me bifes do acém redondo. De um corte que eu nunca tinha levado e que se revelaram maravilhosos. Temperei-os com esta mistura, comprada noutro lugar especial. Não me recordo se me foi aconselhada pela Ana Bárbara, mas é bem possível. O resultado foi um daqueles jantares de muitos elogios. Não houve fotografias, pois naquele dia tínhamos bilhetes para o cinema e tivemos de nos despachar. 
Já ontem, houve tempo. Os peixes pousados na bancada, lindos e rosados, pediam mesmo uma fotografia. Tirei várias. Uma das coisas de que mais gosto na cozinha é de fotografar a matéria-prima. Principalmente quando é tão linda como estes peixinhos cor-de-rosa, com listras amareladas. Uma festa, quando os vi. E experimentei a dica do Paulo, de outro dos meus lugares especiais: grelhá-los intactos. Gostei muito. Bem suculentos, pois os sucos não se perdem, protegidos pelas escamas. Enquanto grelhavam, fiz um molho de iogurte com um sabor atrevido. Malaguetas secas, coentros e alho, tudo moído no almofariz. A contrastar, o sabor adocicado da batata doce. A rematar isto tudo, um copo de vinho branco. À noite, houve sushi do sítio do costume.







Cozer as batatas doces, em água temperada com sal. Grelhar o peixe com as escamas, sem qualquer tempero. No fim, a pele sairá facilmente, expondo lindos pedaços de peixe bem suculentos. Entretanto, preparar o molho: esmagar, num almofariz, 3 malaguetas secas, algumas folhas de coentros ou salsa, dois dentes de alho. Juntar um iogurte natural, temperar com sal e mexer bem. 




segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Segunda-feira

Segunda-feira é um dia mal-amado. Cara de segunda-feira, humor de segunda-feira. Não tem de ser assim. Custa-me que seja assim. Por mais que apeteça prolongar o fim de semana, há que aproveitar os dias todos, segunda-feira incluída. E, para mim, o aproveitar passa por isto: pela preparação do jantar. Chego a casa e começo, ainda sozinha. Primeiro, música. Depois, livro-me dos saltos altos e visto uma roupa confortável. Dali a pouco, o ruído da chave. São eles que chegam. Manuel cheiroso, de cabelo molhado sob o gorro. Foi dia de natação. Conta-me as peripécias da aula. E pede-me para fazermos plasticina caseira. Descobriu que se pode fazer em casa e quer experimentar. Com pouca vontade, cedo. Depois do jantar. Mas antes, os trabalhos de casa. Instala-se na cozinha, perto de mim. Vou cozinhando e verificando se as contas estão certas. 



Hoje, o jantar foi simples, daqueles que se fazem a correr, em dias apressados.
Enquanto o pai arruma a cozinha, cumpro a promessa.  Ficam as receitas. Uma de comer e uma de brincar.

Penne com ervilhas, ricotta e bacon
(Adaptado de Dias com Mafalda, de Mafalda Pinto Leite) 

Ingredientes para 4:
400 g de penne (ou outra massa curta)
1 chávena de ervilhas congeladas
1 colher (de sopa) de azeite
200 g de bacon, cortado em tiras
1 embalagem de queijo ricotta ou requeijão
2 colheres (de sopa) de sumo de limão
1/2 chávena de salsa
sal e pimenta
parmesão ralado (para polvilhar)

Cozinhar a massa de acordo com as instruções da embalagem. Dois minutos antes de a massa estar pronta, juntar as ervilhas. Escorrer.
Enquanto a massa coze, colocar o azeite e o bacon numa frigideira e cozinhar até este ficar estaladiço. Juntar a massa e as ervilhas e misturar. Colocar a massa num prato de servir e juntar o ricotta, o sumo de limão, a salsa, o sal e a pimenta.
Polvilhar com o parmesão e servir.

Plasticina caseira
(Receita daqui)


Ingredientes:
160 g de água
120 g de amido de milho (maizena)
240 g de bicarbonato
1/2 colher (de sopa) de óleo
corante alimentar

Preparação na Bimby:
Colocar todos os ingredientes, exceto o corante, na Bimby e programar 10 minutos, 80 graus, velocidade 3. Colocar a massa na bancada, dividi-la e misturar os corantes, amassando bem, com as mãos, até obter uma cor homogénea. Pelo menos numa fase inicial, convém usar luvas, caso contrário, ficaremos com as mãos tingidas. No fim, guardar as plasticinas em sacos de plástico, para que não sequem.

Preparação tradicional:
Misturar todos os ingredientes e levá-los ao lume brando, mexendo, até obter uma bola. Colocar a massa na bancada, dividi-la e misturar os corantes, amassando bem, com as mãos, até obter uma cor homogénea. Pelo menos numa fase inicial, convém usar luvas, caso contrário, ficaremos com as mãos tingidas. No fim, guardar as plasticinas em sacos de plástico, para que não sequem.





domingo, 11 de janeiro de 2015

O cão

Acordámos cedo. Tomámos o pequeno-almoço. O sol morno de inverno puxava-nos lá para fora. Vamos ao parque?, pediu o Manel. O pai, que tinha coisas a fazer, deixou-nos lá. Havia pouca gente. Apenas um pequeno grupo de pessoas, logo à entrada, e um antigo colega de liceu, com a mulher e a filha pequena. À chegada, apareceu-nos um cão de fila, não sei se vadio, se de algum vizinho. Fizemos-lhe festas e o Manel correu para o escorrega. Instalei-me num banco, com o meu livro, preparada para uns momentos de paz. Abri o livro e comecei a ler. Quase de imediato, percebi que o cão andava à volta do Manel. E reparei que o Manel começava a não gostar. E o cão atirava-se a ele, a brincar. Às tantas, atirou-o ao chão e mordeu-lhe uma perna. Acudi. Peguei no meu filho ao colo e levei-o para o banco. As pessoas que estavam no parque, ao aperceberem-se da cena, chamaram o cão. Mas ele voltava, sempre à procura de um Manel cada vez mais assustado. As pessoas insistiram e lá o conseguiram atrair para perto da estrada. E nós, de mansinho, demos a volta ao parque, a fugir dali. Aliviados, caminhámos, com a maior naturalidade possível, tentando evitar olhar para trás. Já longe, olhámos para o parque e lá vinha ele, a correr, na nossa direção. As pessoas chamavam-no, em vão. Continuámos a andar, devagar, mas o cão cada vez corria cada vez mais. A distância que nos separava era cada vez menor. O Manel chorava, em pânico. Nesse momento, passaram-me pela cabeça manchetes de jornais e rodapés de noticiários. Então, medi a distância que faltava para chegarmos à loja da cooperativa Bioazórica, onde estivéramos minutos antes a comprar fruta, e tomei uma decisão: peguei no Manel ao colo e comecei também eu a correr. E corri, o mais que pude. E, naquele momento, o Paul da Praia da Vitória transformou-se em selva e eu, na presa que corre com o filhote na boca, a fugir do predador. Continuei a correr. Atirei o Manel por cima do muro e ordenei-lhe que corresse e se refugiasse no interior da loja. Ele obedeceu-me. E eu, já sozinha, acalmei-me e acalmei o cão, que, bem vistas as coisas, não era um cão mau. Era apenas um animal a ser animal, sem ter a noção do seu tamanho e da sua força. Lá dentro, acalmavam o Manel, que só perguntava se o cão já se tinha ido embora. Dali a pouco, um agente da polícia perguntava por uma senhora com um menino que estava a fugir de um cão. Alguém viu a cena e tê-lo-á chamado. Possivelmente, as pessoas que nos ajudaram minutos antes. E eu senti-me grata. Grata pelas pessoas do parque, que se preocuparam e fizeram tudo o que puderam para nos ajudar. Grata pelas pessoas da Bioazórica, que nos acolheram e acalmaram o Manel. E, acima de tudo, grata por este episódio não ter passado disto: de uma história para contar.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Fotografar

Sair para fotografar é sair à procura de beleza. Beleza nas suas mais diversas formas. Uma flor, um rosto, uma casa, uma folha seca, um caco partido e esquecido no chão. Há muito que não saía de propósito para fotografar. Desde o entusiasmo que se seguiu ao curso de fotografia que fiz em 2011. Desde então, vou tirando fotografias, de forma pouco programada, aos meus pratos, aos meus rapazes, aos meus animais e pouco mais. 
Uma das sobrinhas do meu marido, fotógrafa profissional, veio passar uns dias connosco. Andou pela ilha, de câmara ao ombro, a fotografar. Na quarta-feira, acompanhei-a. Um dia de aventuras, por lugares mais ou menos conhecidos. Saímos de manhãzinha, para aproveitar o dia. Muitas caminhadas a pé, no meio do mato. Um piquenique improvisado, no meio de um pasto. O dia, frio mas luminoso, ajudou. Ao longe, as silhuetas de mais três ilhas: S. Jorge, à frente; atrás, a imponência do Pico; um pouco mais afastada, a Graciosa, que já foi a minha casa. Talvez por ser da Praia da Vitória, de onde não é possível vislumbrar nenhuma das nossas vizinhas, nunca deixo de me impressionar com este cenário. 

O post de hoje não é só meu. Apenas a última fotografia é minha. Todas as outras são da Ana, que me autorizou a partilhá-las aqui.










domingo, 4 de janeiro de 2015

Sábado na horta. Um livro e uma crónica.

Hoje*, regressei à horta. Depois do almoço, agasalhei-me bem e dirigi-me ao canteiro das cenouras. Sabia que tinham de ser desbastadas, caso contrário, perder-se-iam no meio das ervas daninhas. Confesso que, quando vi a tarefa que tinha pela frente, esmoreci. Se na primavera e verão apetece passar a tarde lá fora, no inverno, a casa chama-nos, com o aconchego de velas, mantas e almofadas. No entanto, senti-me como que obrigada a cuidar daquilo que havia sido iniciado. Abandonar as cenouras que tinham sido semeadas pelo meu pai, na terra que ele preparara, não era opção. Assim, comecei. Não sei ao certo quanto tempo estive. Muito. Já não me lembrava de como era bom ficar assim com as mãos na terra. Literalmente, que não gosto de luvas. Gosto de sentir a terra nas mãos, enquanto arranco as ervas daninhas. No fundo, acho que gosto da sensação de que estou a fazer uma tarefa que requer apenas as minhas mãos. Mesmo que me suje, é de uma sujidade que faz bem, que sai com água. Parece que enquanto me sujo por fora me limpo por dentro. Vou pensando, enquanto separo as cenouras que servirão de jantar ao Serafim. Recordo as palavras que li de manhã no livro maravilhoso que a minha amiga Mar me enviou, juntamente com um bolo a saber a Natal, feito pelas suas mãos. Enquanto, sozinha, mexo na terra do meu canteiro de cenouras, penso nas palavras de José Tolentino de Mendonça, lidas de manhã: "A cultura contemporânea deixou de preparar-nos para a solidão. Na maior parte das vezes, é uma aprendizagem que temos de fazer em cima dos próprios acontecimentos, ou na sua dolorosa ressaca, e de forma muito desacompanhada. É como se a solidão fosse uma surpresa absolutamente improvável na nossa experiência humana, e não, como ao contrário é, um modo de existência completamente comum." E continuo, sozinha, a remexer na terra. E a pensar, na minha "solidão buscada". Entro em casa e corro para o duche. Não o duche rotineiro, de todos os dias. Em dias destes, o corpo tem urgência de água. Já limpa e hidratada, faço o jantar. Coisa simples: peixe ao sal. Enquanto assa, releio o texto belíssimo que o Joel Neto escreveu ontem no Diário de Notícias sobre a comida da minha amiga Lídia:

"A VIDA NO CAMPO
Joel Neto

De dentro

Para a semana vêm cá o Luciano e a Lídia. Já andamos nervosos. A Lídia é a melhor cozinheira a Oeste do Meridiano de Greenwich. Como a Terra dá a volta, é a melhor a Leste também. Que haveremos de servir-lhe?
Da última vez que os visitámos, ofereceu-nos uma Sopa Azeda, a que em alguns lugares se dá o nome de Caldo Temperado. Agarrou no meu prato, pôs-lhe duas fatias de pão no fundo e depois deitou-lhe várias conchas de um espesso caldo de feijão. Cheirava a canela e a noz moscada, e em volta dispersavam-se diferentes travessas com as carnes e os enchidos, as abóboras e as batatas doces cozidas naquele mesmo caldo.
Levei a colher à boca e estaquei. Lá fora, uma bruma descia pela encosta, impedindo-nos de divisar o mar – era como se todo o lugar dos Regatos se resumisse agora àquela casa, ao plátano em frente, à cozinha onde se concentravam aqueles cheiros.
Os antigos chamavam-lhe Comida de Dentro, e também nisso parecia haver uma rectidão. Provava-se outra colherada e logo desfilavam novos sabores vindos do próprio interior do tempo.
Comi tudo quanto me apeteceu, depois comi tudo o que pude e a seguir comi mais um pouco. Puxei de um cigarro, fumei-o devagar – e, quando acabei, pus-me a mordiscar novamente a carne de porco.
Então, senti como se começassem a sentar-se à minha volta os meus antepassados, os meus avós e os avós dos meus avós, os velhos da Terra Chã e da Terceira, os açorianos daqui até do povoamento e daí até ao início dos tempos, quando na manhã do Sexto Dia o Senhor olhou a sua obra e decidiu que estava, afinal, incompleta.
Não, desta feita não vai dar para nos socorrermos do velho Esparguete com Salva. Ou poderemos usar por uma última vez o truque de reforçar o álcool?"


* Na verdade, ontem, dia em que este texto foi escrito.








quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Mais do mesmo e uma receita de ovos

Há um ano, escrevia isto. Perguntava-me como seria o ano que estava prestes a começar. Passado um ano, posso dizer que 2014 foi bom. Não o superlativo, pois pelo caminho houve um ou outro dissabor. Houve momentos tristes, de desilusão, de ansiedade, de medo, de insegurança, por esta ou por aquela razão, mas a maior parte foi feliz. E houve dias quase perfeitos. E quando penso nesses dias mesmo muito bons, vejo aqueles que passámos os três, em situações mais ou menos rotineiras. Na nossa casa ou longe dela. Mas muitos dos melhores momentos que passámos foram aqui, naquele que, para nós, é o melhor lugar de todos. 
Passado um ano, reitero o meu elogio da rotina. Repudio as frases de filósofos de algibeira, daquelas que ficam bem no Facebook, dentro de caixinhas de arabescos, que a pintam de bicho papão. Eu gosto de chegar a casa, fazer o jantar, enquanto o Manel faz os trabalhos de casa e o pai o supervisiona. Gosto das noites à lareira, no inverno, e no jardim, no verão. Gosto de todos os momentos que passamos juntos, na nossa felicidade banal. Momentos especiais na nossa normalidade. Afinal, ser feliz não é difícil. Se houver aqueles básicos que desejamos uns aos outros no início de cada ano, o resto é fácil. Somos nós que às vezes complicamos e somos ingratos, que não vemos o (tanto) que temos. 
Gostaria, como é natural, que, em 2015, o mundo andasse mais concertado. A nível pessoal, ficaria feliz se fosse igual a 2014. Não peço mais. 

Hoje, fica a receita de ovos cocotte que servi no primeiro brunch do ano. Uma refeição preguiçosa, tomada a três, à qual se seguiu uma tarde de cinema no sofá. Um dos tais dias quase perfeitos. Banais para muitos. Não para nós.

Ovos cocotte


Ingredientes por ramequim:
1 ovo
1 colher (de sopa) de natas magras
sal, pimenta e noz moscada
manteiga derretida para untar os ramequins
Para servir: bacon e tiras de pão torrado

Pré-aquecer o forno a 190 graus.
Com a ajuda de um pincel, untar os ramequins.  No fundo de cada um, colocar um ovo e uma colher de natas. Temperar com sal, pimenta e noz moscada. Colocar os ramequins num tabuleiro e levar ao forno 15 minutos, no máximo (Se gostarem da gema crua, como eu e o Manel, deixem menos tempo.). Ao lado dos ramequins, colocar tiras de bacon, para servir com os ovos. Entretanto, torrar tiras de pão. Servir os ovos com o bacon e o pão torrado. 


Foi este um dos nossos filmes da tarde de hoje. A história de um homem bom que, por ser diferente, não tem lugar naquela sociedade perfeita em tons pastel. 






segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Um doce 2015

Este ano, quis o Natal em branco e verde. Sobre uma toalha branca, o trigo tradicional, ramos de pinheiro e muitas velas. Não foi preciso muito mais. Família reunida e comida saborosa, com influência de muitas paragens. Novamente o fiambre de Natal, bacalhau cozido e peru, recheado pela minha mãe. 




A juntar às sobremesas de sempre, o Pudim Abade de Priscos, uma receita desta minha amiga de longe. Um pudim belíssimo, com uma textura untuosa, densa e luxuosa. A receita pode ser lida aqui, pela mão da Mar. Reproduzi-a sem alterar absolutamente nada. Apenas um caramelo mais escuro, a julgar pelas fotografias. Quanto ao resto, tudo igual: as mesmas vinte e cinco gemas, a mesma quantidade de açúcar, as mesmas lascas de presunto, com a gordura a distribuir um sabor cuja origem não se consegue identificar.  E, creio, o mesmo sabor de um doce tão delicado que parece não ser feito neste mundo.



Com esta mesa branca e verde e este doce muito rico, desejo a todos quantos por aqui passam um ano muito feliz. Que a doçura, a serenidade e a esperança nunca nos abandonem.
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Acerca de mim

A minha fotografia
Na casa dos trinta. Casada. Professora. Um filho. Dois gatos. Dois cães.