domingo, 11 de setembro de 2016

Setembro. E uma receita de lulas.

Setembro chegou, com a sua luz e doçura especiais. Damos as boas-vindas às beladonas, ainda de olho nas coisas de verão. Voltámos ao trabalho e, não tarda nada, o Manuel regressa à escola. Aí sim, começam as rotinas a sério. Tentamos esticar o verão o mais possível. Se o tempo o permite, um mergulho ao final da tarde. Depois, jantar no jardim. Os gatos aproveitam para passear muito e para se rebolarem na relva. No inverno, hão de preferir esticar-se nos sofás. A horta anda abandonada. Quando colho o pouco que resta, fico triste por ver a invasão da junça e das beldroegas. Mas tem-me apetecido outras coisas. Praia e livros. 
Os livros escolares começam a misturar-se com os outros. A tetralogia da Elena Ferrante está quase no fim. Vou ter saudades daquela gente. Bem que andava meio mundo apaixonado por estes livros. Impossível não gostar, parece-me. Livros destes são raros. 
As refeições são simples, com muitos grelhados, pensados quase na hora. Daí a escassez de receitas novas por estes lados. Ainda assim, de vez em quando apetece-me experimentar uma coisa diferente. Desta vez, uma massa, com sabores e cheiros de verão. 








Espaguete com lulas 
alcaparras e azeitonas
(Adaptada de Nigellissima, de Nigella Lawson)



Ingredientes para quatro pessoas:
3 colheres de sopa de azeite
1 chalota, descascada e picada
sal a gosto
1 dente de alho, descascado
3 colheres de sopa de salsa fresca picada, mais um pouco para servir
1/2 colher de chá de flocos de malagueta seca
1 lata de 400 g de tomate em pedaços
125 ml de vinho branco seco
300 g de esparguete
450 g de lulas limpas, cortadas em anéis
azeitonas e alcaparras a gosto (opcional)


Preparação:
Começar por pôr a água ao lume para cozer a massa, numa panela grande, com água temperada com sal. Quando ferver, juntar o esparguete e cozê-lo al dente, seguindo as instruções da embalagem. Escorrer e reservar 1 chávena de água da cozedura. 
Entretanto, numa panela larga, aquecer o azeite, adicionar a chalota picada e uma pitada de sal. Deixar cozinhar, mexendo sempre, em lume médio, alguns minutos.
Baixar um pouco o lume, adicionar o alho picado (costumo usar um esmagador - é bem mais prático), as 3 colheres de salsa e os flocos de malagueta. Mexer cerca de 30 segundos e juntar a lata de tomate.
Juntar o vinho, deixar ferver, baixar o lume e deixar engrossar, em lume brando, cerca de 10 minutos.
Adicionar as lulas e, quando o molho tornar a ferver, elas devem estar tenras e bem cozinhadas (costumo verificar com um garfo, só para ter a certeza). Juntar 2 colheres de sopa da água da cozedura ao molho, as alcaparras e as azeitonas e, finalmente, o esparguete. Se for necessário, pode juntar-se mais alguma água da cozedura. Polvilhar com mais um pouco de salsa no momento de servir.


Continuação de bom domingo! Terceirenses, aproveitem bem a tolerância de ponto de amanhã ;)





quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Meu querido mês de agosto

Agosto foi um mês pleno. Com muito mar e muito sol. Este ano, usufruí da minha ilha como nunca. Saímos de casa sem destino, com farnel. E passámos dias inteiros por fora, de poça em poça. Este ano, saí da areia e fui para o calhau. Entrei em águas cristalinas e deixei-me ficar. E agradeci o privilégio de viver num lugar como este. Tanta diversidade numa ilha tão pequena. Sairmos do mar e almoçarmos no campo, entre árvores refrescantes. Atravessarmos a ilha e estarmos novamente na água.  Este ano, chegámos a encerrar a praia. Só nós, a jantar num lugar lindo. Não foi preciso muito, depois de um dia de mar. A imagem das crianças a comer com vontade sandes de atum, enquanto um barco passava em direção à Graciosa, foi daqueles momentos que apeteceu congelar. 

Uma das leituras deste verão foi o novo livro do Mário Cabral. Desta vez, um romance com a ilha do Pico como cenário. Um livro que saiu de forma silenciosa, sem alarido, mas que merece muito ser lido.

Este agosto fiz 40 anos. Foi um dia bonito, vivido com muita tranquilidade. Nada como quando fiz 30. O dia dos meus 40 não foi assombrado por pensamentos obscuros relacionados com a passagem do Tempo. Só pensei no que tenho de bom e em como estou grata por tudo o que a vida me deu. Fica a foto do bolo lindo com que a minha amiga Lídia me presenteou. O bolo dos meus 40 ficar-me-á para sempre na memória.

Hoje, voltei à escola. Revi colegas, conheci outros, delineámos projetos. É bom quando se gosta de regressar ao trabalho. Afinal, convivemos com ele 11 meses.  No fim de um dia de muito calor, ainda deu tempo de ir à Salga, para duas horas de mar. Assim, a transição não custa. 

Amanhã, esperamos mais um furacão. Desta vez, chama-se Gaston. Já ninguém os leva muito a sério - de vez em quando lembro-me da história do Pedro e o Lobo. Ainda assim, não me parece que haja mar. Haverá casa e filmes. E compotas, que está na altura delas. E os três últimos volumes da tetralogia da Elena Ferrante finalmente chegaram. Tenho entretenimento para os próximos tempos.

Agora, fotos do meu/ nosso agosto. No próximo post, haverá receita. Prometo!















domingo, 21 de agosto de 2016

Nós por cá

Este ano, o verão é na ilha. E, não obstante os caprichos do tempo, não se está mal. Está-se muito bem, até. Mesas cheias, com  familiares vindos de longe. Jogos pela noite dentro. Flores. Luzes sob várias formas. Peles douradas pelo sol. E a despreocupação própria destes dias. Nada de horários. Dias pautados pelos humores de S. Pedro. Mergulhos de manhã e/ou de tarde. Refeições simples. Grelhados, que é o que sabe melhor nesta altura. Legumes da horta. Vinho branco fresco. Os dias são de preguiça. E o blogue acompanha este estado de espírito. Também ele anda paradinho. Mas, passados uns dias sem vir aqui, começo a ter saudades.
Ficam imagens do nosso agosto. E a receita do meu gelado de Oreo, o gelado deste verão. 











Gelado de bolacha Oreo
(Adaptado desta receita)


1 litro de natas gordas
1 lata de leite condensado
2 colheres de chá de extrato de baunilha
7 gemas
1 pitada de sal
12 bolachas Oreo
Bolachas Oreo pequenas, para decorar (opcional)

Numa  panela pequena, levar ao lume 250 g de natas, meia lata de leite condensado, uma pitada de sal e o extrato de baunilha. Deixar ferver, em lume brando. 
Numa tigela média, bater as gemas com o restante leite condensado. Verter sobre esta mistura, mexendo sempre, a metade do creme quente. Juntar tudo e levar ao lume 10 minutos, mexendo sempre. 
Colocar o resto das natas numa tigela grande e juntar-lhes o creme quente, através de um coador. 
Deixar arrefecer completamente e levar à máquina de gelados.*
Num robot de cozinha, triturar as bolachas e, quando o gelado estiver quase pronto (cerca de 5 minutos antes de terminar),  juntá-las e deixar envolver bem. Levar ao congelador.

*Caso não tenha máquina de gelados, para obter um gelado cremoso, leve-o ao congelador e, de vez em quando, bata com a batedeira. Quantas mais vezes o fizer, mais cremoso ficará o gelado. 






Continuação de um bom verão! E de boas férias, se for o caso.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Coisas de verão: mar, horta e uma sangria refrescante.

Finalmente, o verão. Apesar de o calendário já o assinalar há mais de um mês, nos Açores, só na última semana ele parece ter chegado. Só agora há céu azul com poucas nuvens e temperaturas que convidam a banhos de mar demorados. Não sei se será sido do atraso, que o tornou mais desejável, este ano dei por mim a gostar mais das coisas de verão do que em anos anteriores. Da praia, principalmente. Não me lembro de ir todos os dias à praia. Este ano sim. Este ano, tenho sentido o apelo do mar, da areia e das longas tardes à beira-mar. 








As rotinas da horta continuam. Rega ao fim da tarde. E cuidados contra insetos, com mezinhas receitadas pelo Avelino. Tenho lutado contra a mosca branca que ameaça os tomateiros, as alfaces e as curgetes. Quase todos os dias, pulverizo as plantas com uma infusão de salva e sabão. Mas ainda não as exterminei, que são uns bichos resistentes. Tem sido uma luta quase diária. Cheguei da horta há pouco. E pelas nuvens brancas que se soltam após cada pulverização de veneno, percebo que está para continuar. Mas a sensação de colher uma curgete ou um alho francês e cozinhá-los minutos depois compensa o esforço e as alergias. 




Outro prazer de verão: as refeições no jardim. Pelo menos quando não há insetos. Este ano têm-nos visitado amiúde. Viver no campo tem destas coisas. Ainda assim, continuo a ver mais vantagens. Apesar das bichezas indesejadas, gosto desta minha vida rural.
E agora, a receita: uma sangria de ananás bem adequada aos dias de calor que temos tido. Fi-la pela primeira vez num dia em que não tinha qualquer refrigerante em casa. Lembrei-me de juntar água com gás. Afinal, também tem bolhinhas. Desde então, já a fiz imensas vezes. Leve, pouco calórica e bem refrescante. 


Sangria de ananás 


1/2 ananás
1 garrafa de espumante
3 colheres de sopa de açúcar amarelo
50 ml de vinho do Porto
500 ml de água com gás
1 pau de canela
hortelã (usei hortelã-pimenta)

Picar o ananás em cubos pequenos e colocá-los no fundo de um jarro. Misturar o açúcar e o vinho do Porto. Acrescentar o espumante, a água com gás, o pau de canela e mexer bem. Servir com hortelã e gelo.






Continuação de um bom verão. E boas férias, se for o caso.


quinta-feira, 21 de julho de 2016

A minha horta. E flores de comer.

A horta é a minha musa. Depois de dias longe dela e do blogue, basta pôr as mãos na terra, volta a vontade de tudo. Arranco a primeira daninha e não consigo parar. Continuo. Só mais uma. E outra. E aquela ali, tão grande. E a grama, que ameaça dominar tudo. E um pé de junça que se encostou ao alho francês. Não posso deixar que se aproveite dele. E vou trabalhando, sem luvas. Mesmo de vestido. Afinal, era só uma visita rápida, depois do jantar. Mas é um vício. Colho duas curgetes e um alho francês. E mais uma alface. Chego a casa e exponho as novidades na bancada da cozinha. As minhas curgetes brilhantes, bem diferentes das do supermercado. Limpo a terra das unhas e hidrato as mãos. E penso que da próxima levarei luvas. Mas sei que continuarei a meter as mãos na terra, pois é assim que me sabe melhor.
E, subitamente, a vontade de vir aqui emerge. Uma necessidade de partilhar imagens daquilo que começo a colher. E do início do jantar de hoje, com sabores bem de verão. Mesmo que seja um verão com mau feitio como o nosso. Este ano, o verão tem passado ao largo dos Açores. Parece ter-nos abandonado, aqui, bem no meio do oceano. O que vale é que pelo menos a minha horta está feliz. E eu também, que a felicidade dela é a minha.




Flores de curgete recheadas
 com requeijão e queijo da ilha



Ingredientes:
Recheio:
10 flores de curgete (era o que havia, mas a quantidade de recheio chega para 12) - colher apenas os machos
1 requeijão (170 g)
2 colheres de sopa de queijo da ilha ralado
1 colher de sopa de manjericão picado
1 ovo batido
sal e pimenta

Polme:
3 colheres de sopa (bem cheias) de farinha
1/2 cerveja mini
óleo para fritar






Preparação:
Começar por misturar todos os ingredientes para o recheio e colocá-lo num saco de pasteleiro ou num saco com a ponta cortada.
Limpar as flores da curgete e retirar-lhes os estames. Abri-las e recheá-las, retorcendo as pontas.
Misturar a farinha e a cerveja (ajustar as quantidades, se necessário).
Passar as flores pelo polme, escorrendo bem, e fritá-las no óleo bem quente.
Servir como entrada, com salada verde e um copo de vinho branco.

domingo, 3 de julho de 2016

Domingo

Há momentos em que penso é isto, a felicidade é isto. E, normalmente, concluo que não é preciso muito. Preciso, acima de tudo, das pessoas que me são tudo, de as saber bem, de preferência por perto. E de uma vida simples, que me permita desfrutar das coisas que me fazem bem. O verde e o azul fazem-me bem. De preferência juntos. O recorte verde do Pico do Capitão contra o azul do céu faz-me bem. E os salpicos pretos e brancos das vacas no meio do verde, também. Passo horas a apreciá-los, ora mais juntos, ora mais dispersos, numa paisagem que de monótona não tem nada. Não me canso da vista da minha cozinha. Nunca é igual, aquele quadro bucólico. Mais azul ou mais cinzento. Mais nítido, ou escondido pela neblina. Com ou sem movimento. Mais verde, nos meses de inverno, ou mais seco, lá para agosto. Hoje havia gente, lá em cima. Há uma cache no topo, deviam estar a procurá-la. Lembrei-me de lá ter estado, há mais de três anos. Fui reler o que escrevi na altura. O sentimento mantém-se. Continuo a gostar muito do meu canto.
Ontem, colhi a minha primeira alface. O primeiro fruto do meu trabalho na horta. E isso fez-me bem. O tal orgulho de que não me canso de falar. Provei-a hoje ao jantar. Achei que tinha um sabor especial, talvez por ser minha.
Este dia de sol fez-me bem. Enfrentar a minha aversão a praias ao domingo, também. Chegar a casa e preparar um jantar quase sem fogão fez-me bem. Uma refeição leve, com ingredientes de confiança. Atum fresco do Paulo, a minha alface e pão de centeio do Guarita. Para acompanhar, um guacamole especialmente bom, com abacates bem maduros e saborosos. E comer cá fora fez-me bem. E está a fazer-me bem escrever este texto, iluminada apenas por uma vela e pelas luzes de verão, que voltaram a sair da caixa. 




Tártaro de atum


Ingredientes (para 3 pessoas):
350 g de bifes de atum fresco, limpos
4 colheres de sopa de molho de soja 
2 colheres de sopa de óleo de sésamo
cebolinho e salsa a gosto
sementes de sésamo a gosto
Flores de cebolinho (opcional)

Começar por cortar os bifes de atum em cubos com mais ou menos 1/2 cm (nada de usar picadora!). Numa taça, misturar o peixe com o molho de soja, o óleo de sésamo e as ervas, picadas. 
Tostar ligeiramente as sementes de sésamo e envolver tudo. Levar ao frigorifico até ao momento de servir. Se tivermos flores de cebolinho, fica bonito salpicar o peixe com pétalas no momento de servir.
Acompanhei com pão de centeio torrado, alface e guacamole. Simples, não?









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Na casa dos trinta. Casada. Professora. Um filho. Dois gatos. Dois cães.