terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A importância de se chamar "encharcado"

Creio que foi o adjetivo presente na designação deste bolo que me fez escolhê-lo. De facto, nisto de nomes de comida, os adjetivos importam. Antecipam o que virá. E ajudam-nos a escolher, consoante o que apetece no dia. Ao ler carne suculenta, bolo de chocolate húmido, batatas estaladiças ou bolo encharcado de laranja, imaginamos logo momentos de prazer quase pecaminosos. Ao ler o título Bolo encharcado de limão, num dos livros a que mais recorro quando preciso de uma receita de bolo, não tive dúvidas. Troquei apenas o fruto e dediquei-me à tarefa sempre prazerosa de sexta-feira à noite de fazer o bolo para o fim de semana. Desta vez, encharcado.

Bolo encharcado de laranja
(Adaptado de Prazeres divinos, de Nigella Lawson)


Ingredientes:
125 g de manteiga sem sal
175 g de açúcar 
2 ovos grandes
raspa de 1 laranja
175 g de farinha
1 colher (de chá) de fermento
1 pitada de sal
4 colheres (de sopa) de leite

Para o xarope:
sumo de 1/2 laranja (cerca de 4 colheres de sopa)
100 g de açúcar

Preparação:
Pré-aquecer o forno a 180 graus. Untar e enfarinhar uma forma de bolo inglês de 23x13x7 cm (se preferir, pode forrá-la com papel vegetal). 
Bater a manteiga com o açúcar, juntar os ovos e a raspa de laranja, batendo bem. Acrescentar a farinha, o fermento  e o sal, envolvendo suavemente, e, por fim, o leite. Verter na forma e levar ao forno, durante 45 minutos ou até ficar dourado (fazer o teste do palito).
Enquanto o bolo coze, preparar o xarope: colocar o sumo de laranja e o açúcar numa caçarola pequena e aquecer, em lume brando, até o açúcar se dissolver.
Quando o bolo estiver cozido, retirá-lo do forno, furá-lo com um palito e regá-lo com o xarope. Deixá-lo arrefecer completamente dentro da forma e só depois desenformá-lo, para que não se parta. 



domingo, 7 de dezembro de 2014

Um hambúrguer regional

Durante a semana, há menos tempo para a cozinha. Os pratos são os de sempre. Daqueles que as mãos fazem quase sozinhas, enquanto o cérebro vai orientando trabalhos de casa, planeando o dia seguinte e tomando um conjunto de decisões mais ou menos domésticas. Gosto de viver assim, preenchida. Mas também gosto de saber que existe a sexta-feira e que posso abrandar e tirar um bocadinho para me dedicar às minhas coisas. Preciso deste equilíbrio na minha vida. 
Ao fim de semana, há mais tempo para experiências diferentes. E gosto das horas que passo na cozinha, a ouvir música e a fazer comida. Às vezes, receitas novas, seguidas quase à risca. Outras, (re)criações, a partir de um programa que vi, de um livro que li ou de um restaurante onde comi. A maior parte das vezes, corre bem. Às vezes, um ou outro desaire, como um certo pudim de peixe de há uns tempos, que me obrigou a levantar da mesa e remediar um jantar com bolinhos de bacalhau que havia no congelador. Realmente, numa noite de sábado, não podíamos comer um pudim que parecia esponja, como o descreveu o Manel. A maior parte das vezes, no entanto, as experiências ficam comestíveis. Se ficam mesmo boas e agradam aos três, acabam aqui, pois podem interessar a mais alguém.
Estes hambúrgueres foram aplaudidos pelos elementos masculinos cá de casa e eu também gostei muito. Fi-los, inspirada por um hambúrguer que comi, num almoço a meio de uma semana agitada, no restaurante Ponto com Sabor, na Praia da Vitória. 

Eis a minha versão do hambúrguer regional:



Ingredientes para 6 hambúrgueres:
1 bolo lêvedo, pequeno, por hambúrguer
450 g de carne moída
150 g de morcela 
50 g de queijo de S. Jorge, ralado
1 rodela de ananás por hambúrguer
mostarda
flor de sal



Retirar a pele à morcela, desfazê-la bem e misturá-la com a carne e o queijo de S. Jorge. Com as mãos, formar 6 hambúrgueres. Se os preferir mais perfeitinhos, pode usar um molde próprio para o efeito. Eu gosto deles assim, com um aspeto tosco. 
Aquecer bem um grelhador, colocar os hambúrgueres, temperá-los com flor de sal e deixá-los grelhar. Virá-los, temperá-los novamente e deixá-los acabar de cozinhar.
Abrir os bolos lêvedos, barrá-los com mostarda, colocar os hambúrgueres e a rodela de ananás e fechar, com um palito. 
Acompanhar com batatas ou batatas doces fritas ou, como foi o meu caso, com inhame frito às rodelas. 



quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O conforto de uma tarte de maçã

Tarte de maçã é doce de estações frias, que combina com bebidas e conversas e momentos quentinhos. E o prazer de comer uma fatia de tarte não será muito maior do que o de a fazer. Tarte de maçã é uma sobremesa rústica, a lembrar casas de campo com cozinhas acolhedoras, onde repousam caixas de fruta madura. Gosto de toda a azáfama que envolve uma bancada enfarinhada, a massa a ser rolada, a forma a ser untada, a fruta a ser picada. Sabe bem ver a tarte a ganhar forma: dispor harmoniosamente os pedacinhos de maçã, preencher os espaços entre cada um com o creme e, finalmente, colocar a forma no forno. Tão simples e tão saboroso, este ritual. Transformar três maçãs, açúcar, farinha e mais meia dúzia de ingredientes numa tarte bonita e perfumada faz-me sentir muito útil, muito dona de casa. Às vezes sabe bem. Principalmente porque é só às vezes. E gosto da espera. Aquela sensação de que a nossa parte está feita, de que o resto é com o forno. Fiz esta num sábado frio e, enquanto esperei que cozesse, sentei-me a ler um livro, à lareira. 


Esta versão, um clássico da reconhecida escola de cozinha Le Cordon Bleu, é simplesmente a melhor tarte de maçã que já comi. Uma daquelas receitas de ter por perto, para quando apetece uma sobremesa a saber a outono ou inverno ou para oferecer aos amigos que nos visitam.

Tarte da Normandia
(Ligeiramente adaptada de Le Cordon Bleu - Cozinha Regional Francesa, H.F.Ullman)


Ingredientes para 6-8 pessoas:
Massa
250 g de farinha sem fermento
150 g de manteiga sem sal, cortada em cubos
1 ovo
50 g de açúcar
1-2 gotas de extrato de baunilha

3 maçãs médias (usei reinetas)
sumo de 1 limão
2 ovos + 1 gema
60 g de açúcar
1 colher (de chá) de canela em pó
200 ml de natas
açúcar em pó para polvilhar (não usei)

Preparação:
Unte uma forma de tarte alta com 22 cm de diâmetro (usei uma forma de mola, com o fundo amovível) e guarde-a no frigorífico para a manteiga endurecer.
Para fazer a massa, peneire a farinha para dentro de uma tigela grande e incorpore os cubos de manteiga, esfregando rapidamente com os dedos, até obter uma massa semelhante a migalhas de pão. Faça uma cova no centro da mistura. Bata o ovo com uma colher de sopa de água e deite na cova, juntamente com o açúcar, a baunilha e uma pitada de sal. Incorpore gradualmente a farinha, até se formar uma massa grosseira. Empurre com a base da mão e vire com as pontas dos dedos até estar lisa. Embrulhe-a em película aderente e leve ao frigorífico 20 minutos.
Descasque as maçãs e retire os centros. Corte cada maçã em oitavos, misture as fatias com o sumo de limão e guarde no frigorífico até usar.
Bata levemente os ovos e a gema com o açúcar. Acrescente a canela e as natas. 
Estenda a massa num círculo com a espessura de 2-3 cm e forre a forma de tarte (como a minha massa, talvez por falta de jeito da minha parte, se partiu, coloquei-a no centro da forma e fui-a estendendo com as mãos, fazendo-a subir pela parte lateral da forma). Segundo a receita original, deve-se refrigerar a forma, com a massa; no entanto, saltei este passo e não creio que tenha feito falta. Às vezes, não faz mal usar atalhos ;)
Disponha as fatias de maçã de forma decorativa no fundo da forma, enchendo-a bem, e cubra com a mistura de ovos e natas. Leve ao forno, aquecido a 170 graus, durante 45 a 60 minutos, ou até o recheio estar firme. 



domingo, 30 de novembro de 2014

O Nosso Presépio

Não há Natal como o da infância. Por mais gasta que a frase esteja, penso nela todos os Natais, ao olhar para o meu filho. Mesmo quando se gosta muito, há névoas que desbotam as cores vibrantes da época. Aquele Natal pleno de quando somos crianças não volta mais. Aquele Natal de euforia ao decorar a árvore e ao acender as luzes pela primeira vez. Aquele Natal de estar tudo bem, sem que falte nada e, principalmente, ninguém.
Ontem, fizemos o presépio. Não fazia um presépio há mais de vinte anos. Pelo menos, não um presépio a sério, com uma gruta de pedra e farelo e leivas*. Mal acordámos e tomámos um pequeno-almoço de panquecas, agasalhámo-nos e fomos os três à nossa horta semiabandonada, recolher os materiais necessários para recriar a nossa Belém. Enquanto o fazia, as memórias inevitáveis da minha avó, que vivia o Natal como ninguém. 
Quase todas as memórias dos Natais da minha infância estão ligadas à minha avó. Ela que, semanas antes, começava a pensar no presépio daquele ano. Juntas, subíamos ao sotão, à procura das caixas que continham as figuras da Natividade, as ovelhas, os pastores e demais personagens que enriqueciam as vivências aldeãs que (re)criávamos. Em conjunto, construíamos casinhas de cartão, pintávamos telhados, cortávamos portas e janelas e cosíamos cortinas. Casas típicas dos Açores, que encaixávamos nas areias de Belém. Era uma rotina de depois das minhas aulas. Chegado o grande dia, ela aparecia, sorridente, com o seu cachecol de crochet, cor de tijolo, e o seu cabelo, já prateado. E, qual arquitetas paisagistas, fazíamos nascer montes e cerrados** e abríamos estradas, umas de areia, outras de farelo, tudo dividido, ao estilo açoriano, por muros de pedrinhas de basalto. O nosso presépio era sempre construído sob a árvore de Natal, que havia sido enfeitada antes, por mim e pelo meu irmão, com a ajuda dos meus pais. 
O nosso presépio de 2014 é menor e tem menos pormenores do que os que fazia, nos anos 80, com a minha avó. É um presépio mais apressado, com menos horas de trabalho, sinal dos dias azafamados que vivemos. Mas é um presépio. O nosso presépio, construído por nós, com o nosso filho. O presépio que o Manel, vigilante, protege das patas curiosas de gatos que achariam graça a destruir a estrada que leva os Reis Magos ao Menino. Acho que a minha avó o aprovaria. A minha avó, que morreu faz hoje 14 anos.

* Designação dada por cá ao musgo.
** Pastagens típicas açorianas, divididas por muros de pedra.







sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Pizza numa sexta-feira à noite

Os jantares de sexta-feira têm aquele sabor bom dos começos. O começo de dias só para nós, com rotinas mais lentas do que as dos outros dias. Chegar a casa à sexta-feira é talvez o momento mais feliz da semana. E numa sexta-feira fria como esta, mais ainda. É por isto que gosto tanto do frio. É no frio que a casa sabe melhor. Colocar a chave na fechadura, enregelada, e ser recebida pelas vozes deles, na sala, à lareira, aquece por fora e por dentro. 
Pouso a mala, as chaves e os restantes acessórios e dirijo-me à cozinha, pronta para cumprir o prometido. De manhã, enquanto conduzia o Manel à escola, prometi-lhe pizza. E promessas são para cumprir. 
Se há dias em que a primeira coisa a fazer é vestir uma roupa confortável, hoje fui logo tratar da massa, ainda de saltos e com o poncho que me aqueceu durante o dia. Abri o armário e o frigorífico, a ver o que havia. Alcachofras, mozzarella fresca, cogumelos e os meus figos deste ano, ainda por estrear. Pareceu-me que o doce do figo, temperado pelas especiarias, combinaria bem com a acidez da alcachofra. Não me enganei. Mais uma mistura bem sucedida. Os rapazes preferiram a pizza tradicional, com cogumelos, queijo e bacon. Nestas coisas, ousada, só mesmo eu :)


Pizza de cogumelos, alcachofras e figos 

Fiz a massa e o molho de (quase) sempre. Cortei cogumelos frescos em fatias, salteei-os num pouco de azeite e pu-los sobre a massa de pizza e o molho de tomate. Escorri as alcachofras, desfi-las um pouco e juntei-as à pizza. Cortei 3 figos em quartos e juntei-os também. Depois, uma bola de mozzarella, desfeita, e, finalmente, uns farrapos de bacon. Polvilhei com orégãos e levei ao forno.




sábado, 15 de novembro de 2014

Fast-food saudável para o almoço de sábado

Estava a precisar de um sábado assim, preguiçoso. Um sábado de despertar suave, ao som da chuva nos vidros. Os dias influenciam mesmo a forma como olhamos para o tempo. Se hoje fosse segunda-feira, dificilmente veria com os mesmos olhos uma manhã chuvosa. Mas não. Hoje é sábado. Hoje é um daqueles dias. Um dia de pouca luz e muito de casa, passado entre mantas e almofadas e livros e velas acesas. Um daqueles sábados de bolos aromáticos à espera de uma chávena de café. 







Cá em casa, muitas vezes, o almoço de sábado é de fast-food. Uma tradição nossa, que aconteceu sem que planeássemos. Não fast-food de grandes cadeias internacionais, que (ainda) não as há por cá. O nosso fast-food, feito com os nossos ingredientes de confiança. Desta vez, hambúrgueres da última abrótea que comprei ao Paulo, que acabou por ter um destino diferente daquele que planeara. Inspirada numa receita de hambúrgueres de salmão perdida numa revista antiga, moldei os meus hambúrgueres com abrótea do mar dos Açores. Ao contrário de outros tempos de mais paciência, em que teria feito o meu próprio pão, usei bolos de leite da Padaria Lajense, os preferidos do meu filho. 
Depois do almoço, outra rotina dos últimos tempos: trabalhos de casa.  Enquanto o Manel desenhava letras ainda um bocadinho toscas e fazia contas de somar, fui escrevinhando este texto. Por perto, o bolo de iogurte da Mar, desta vez perfumado com canela e noz moscada. 





Hambúrgueres de abrótea
(Adaptados da revista Saúde à Mesa, Março de 2014)


Ingredientes para 3 hambúrgueres:
300 g de filetes de abrótea (salmão, na receita original)
1 cebola pequena
1 colher (de chá) de caril 
1 colher (de chá) de gengibre fresco, ralado
1 raminho de salsa ou coentros (usei salsa)
3 pães de leite
azeite para untar

Preparação:
Cortar o peixe em cubos pequenos e triturá-los, numa picadora, até que fiquem bem desfeitos.
Descascar a cebola, picá-la, bem fininha, e misturá-la com o peixe. Adicionar o caril, o gengibre, a salsa, picada, envolver tudo bem e, com a ajuda de um molde ou com a mão, formar 3 hambúrgueres.
Levar ao lume uma frigideira anti-aderente, untada com azeite, e cozinhar os hambúrgueres, de ambos os lados. Servi-los com pão, salada e molhos a gosto.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Frio

Já tenho saudades de frio. Anda toda a gente feliz com o sol e o verão tardio. Eu não. Olho para as malhas e para os sobretudos e apetece-me inverno. Olho para a lareira e apetece-me frio. Gosto das estações no seu lugar. Verão em novembro não me cai bem. E, apesar dos dias ainda de sol, há coisas que já apetecem. Já apetece comida de forno e manta ao serão. E os animais já procuram colo e recantos quentinhos nos sofás. Nestes dias, apetece-me invariavelmente perfumar a casa. Com velas e comida doce, como estes muffins. Enquanto estão no forno, o aroma tentador vai pintando a casa de sabores quentes, tornando-a ainda mais acolhedora. São daquelas coisas que combinam com tardes frias de outono e inverno, com fins de semana preguiçosos e crianças ruidosas e lambuzadas e felizes. 
No dia em que fiz estes muffins, estava sol. E havia bananas a envelhecer na fruteira. E apeteceu-me tudo o que descrevi no parágrafo anterior. Rodeei-me dos meus livros de receitas, uma atividade que também associo ao frio, não sei bem porquê, e escolhi esta receita. Uns bolinhos de dias frios num dia de um verão que não se quer ir embora.



Muffins de banana e chocolate
(Ligeiramente adaptado de Cozinha - O Coração da Casa, de Nigella Lawson)



Ingredientes para 12 muffins:
3 bananas bem maduras (usei 4, pequeninas)
125 ml de óleo vegetal
2 ovos grandes
100 g de açúcar amarelo
225 g de farinha T65
3 colheres (de sopa) de cacau
1 colher (de chá) de bicarbonato

Preparação:
Pré-aquecer o forno a 200 graus. Num tabuleiro para muffins, colocar as formas de papel. 
Esmagar as bananas e misturar o óleo e depois os ovos e, por último, o açúcar.
Misturar a farinha, o cacau e o bicarbonato e incorporar na mistura anterior. 
Encher as formas de papel até 2/3 e levar ao forno, durante 15 a 20 minutos.

domingo, 9 de novembro de 2014

Soufflé

Um prato leve e delicado. Um prato que dá luta, que requer atenção, vigilância. E alguma sorte. Faz-se a medo, com receio que abata. Às vezes, acontece. Um sopro mais forte e lá se vai o soufflé. E, um pouco como o risotto, não espera por ninguém, faz-se esperar. 
Este surgiu de uma necessidade. Aproveitar peixe cozido. Ainda pensei nestes bolinhos ou nestas tortas. Mas apeteceu-me textura de algodão. Apeteceu-me soufflé.

Soufflé de peixe
(Ligeiramente adaptado desta receita, da Tertúlia de Sabores)


Ingredientes: 
200 g de peixe cozido, limpo de peles e espinhas (usei peixe-porco)
50 g de manteiga
50 g de farinha
2,5 dl de leite frio
4 ovos
sal, pimenta e noz moscada a gosto
1 ramo de salsa, picada

Preparação:
Esmagar o peixe com um garfo e reservar.
Num tacho, derreter a manteiga, polvilhar com a farinha e deixar cozer um minuto, sem ganhar cor. Adicionar o leite frio e mexer, para não ganhar grumos; deixar engrossar e retirar do lume.
Juntar o peixe, temperar com sal, pimenta e noz moscada, incorporar as gemas e a salsa e mexer.
À parte, bater as claras em castelo e adicioná-las ao preparado, muito suavemente.
Deitar a mistura numa forma de soufflé, untada com margarina, e levar ao forno previamente aquecido a 200 graus, durante 25 a 30 minutos. 
Servir de imediato.
Ao sair do forno, o soufflé não pode apanhar correntes de ar, pois abaterá. 
Acompanhar com uma salada e um copo de vinho branco.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Castanhas

Domingo à noite, copos de vinho no balcão, e um caos de ingredientes que resultaram em pizzas bem saborosas. Tudo feito a quatro mãos. Eu e o meu irmão na cozinha dele, numa preparação demorada, que teve quase tanto de saboroso como o resultado final. 
A abrir o jantar, uma receita feita com as 35 castanhas do meu castanheiro. No ano passado, foram só 10. Este ano, já deu para uma entrada. E, apesar de a luz não ser a melhor, tinha de deixar aqui o registo destas castanhas. Na verdade, luzes mornas de salas acolhedoras não são compatíveis com fotografias bonitas. Principalmente quando o tripé avariou. Mesmo assim, com o auxílio da lata de tomate pelado, lá tirei umas fotos que, estando longe da perfeição, servem para ilustrar a primeira receita feita com as nossas castanhas.

Castanhas com bacon e mel


Ingredientes:
castanhas
sal grosso
mel
bacon, em tiras


Preparação:
Lavar as castanhas e dar-lhes um golpe na horizontal. 
Num tabuleiro, colocar uma camada de sal grosso e sobre este colocar as castanhas.
Assar as castanhas, a 200 graus, cerca de 30 minutos (devem estar duras, pois voltarão ao forno; assim que lhes conseguirmos retirar a pele, devemos retirá-las do forno).
Envolver cada castanha numa tira de bacon e prender com um palito. Pincelar com mel e levar ao forno, a 200 graus, até o bacon estar estaladiço. 


domingo, 26 de outubro de 2014

Meia-estação

É o nome que se dá às estações intermédias. Por serem amenas, sem excessos, chamam-lhes meia-estação. Daí as indecisões próprias destas alturas. Não sabemos bem o que vestir nem o que calçar. Será que é muito quente? Será que vou ter frio? E as dúvidas estendem-se à cozinha. Já apetece o aconchego de um forno aceso, mas ainda está calor. Ando nisto, ultimamente. 
Ontem, o sábado foi praticamente de verão. Não fossem as folhas que já atapetam o jardim, as castanhas que caem das árvores e o sol que se deita mais cedo, acreditaria estarmos, não digo em agosto, mas em setembro. Tinha decidido fazer uma tarte de abóbora, ao estilo americano. Já tinha a receita escolhida e tudo. Mas com o sol que brilhou todo o dia, não me apeteceu uma tarte de forno. Apeteceu-me uma sobremesa fresca, não tanto como esta, mas com uma frescura mais de verão que de outono. Agora que penso nisso, já é uma tendência minha usar abóbora em pratos que são mais de verão que de outono. Receitas de transição. Desta vez, foi cheesecake.

Cheesecake de abóbora


Ingredientes para a base: 
200 g de bolachas de chocolate (usei Mulatas)
3 colheres (de sopa) de manteiga derretida
2 colheres (de sopa) de açúcar amarelo
1 ovo

Ingredientes para o cheesecake:
250 g de queijo mascarpone
1 chávena almoçadeira de puré de abóbora cozida (cozi-a a vapor, espremi-a bem e triturei-a, na Bimby)
100 g de açúcar amarelo
4 folhas de gelatina
3 ovos
1/2 colher (de café) de canela em pó
1/4 colher (de café) de gengibre em pó
1/4 colher (de café) de alcaravia em pó
1/4 colher (de café) de noz moscada em pó

Preparação:
Triturar as bolachas e misturar os restantes ingredientes. Forrar com esta mistura a base de uma forma de mola com 25 cm de diâmetro e levar ao forno pré-aquecido a 180 graus durante 8 minutos. Reservar.
Demolhar as folhas de gelatina em água fria. Escorrê-las e misturá-las em 1/2 chávena de água bem quente. Reservar.
Bater o mascarpone, o puré de abóbora, o açúcar, as gemas, a gelatina e as especiarias, até obter um creme. Bater as claras em castelo e incorporar, delicadamente, na mistura anterior. Verter sobre a base de bolacha e levar ao frigorífico, de preferência de um dia para o outro. 
Servir o cheesecake polvilhado com canela.


domingo, 19 de outubro de 2014

Exotismo

Há dias, vi um programa do Nigel Slater dedicado a ingredientes pouco comuns. Entre eles, havia uma receita de morcela com massa folhada e cebola caramelizada que pretendo reproduzir um dia destes. Achei curiosa a presença da morcela num programa cuja temática era ingredientes exóticos. Por cá, morcela é um ingrediente bastante vulgar. Em Inglaterra, porém, a dois passos de Portugal, é considerado estranho. O ruibarbo, por outro lado, uma planta muito consumida no Reino Unido e nos Estados Unidos, é quase desconhecida em Portugal e não muito fácil de encontrar. Nos Açores, se não for cultivada por um amante de horticultura e cozinha, praticamente impossível. 
O ruibarbo que utilizei para confecionar este chutney é o francês, menos conhecido do que o vermelho. Foi-me oferecido por uma amiga com gosto por coisas da terra. O resultado agradou. Um chutney bem aromático, que combina muito bem com queijos fortes e vinho tinto.

Chutney  de ruibarbo
(Receita adaptada desta)


Ingredientes:
500 g de ruibarbo, cortado em pedaços de 1 cm
2 dentes de alho
2 cebolas roxas
3 colheres (de sopa) de azeite
200 g de açúcar amarelo
10 cl de vinagre de cidra
2 colheres (de café) de garam massala
sal e pimenta

Preparação:
Descascar os alhos e as cebolas e cortá-los em fatias finas
Numa panela grande, refogar a cebola, o alho e o azeite, até ficarem translúcidos. Juntar o açúcar amarelo e deixar caramelizar, em lume brando. Juntar o ruibarbo, o garam massala, o vinagre e cobrir com água. Deixar ferver; depois, reduzir o lume, e deixar cozinhar 50 minutos. Temperar com sal e pimenta.
Colocar o chutney em frascos esterilizados e guardar. 
No blogue de onde retirei a receita, sugere-se que este chutney acompanhe magret de pato. A testar um dia destes. Para já, foi comido como entrada, a acompanhar queijo, sobre uma tosta. Muito bom.


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Belladonas + abóboras + groselhas = outono

São elas que anunciam o outono. Em setembro, as bermas das estradas adornam-se de flores cor-de-rosa. Chamam-lhes meninas para a escola, por o seu florescimento coincidir com o início das aulas. Pelo menos, é essa a explicação mais comum. 
Nesta altura, as meninas para a escola pontuam as nossas estradas, em grupos irregulares. Primeiro, duas ou três; mais adiante, um grupo maior; depois de uns metros sem nenhuma, outro grupinho delas. Mesmo a lembrar outros tempos, quando todas as crianças faziam o percurso para a escola a pé, entre brincadeiras, gargalhadas e uma ou outra traquinice. As meninas para a escola lembram-nos a infância. Quando vou de carro, e as vejo, recordo aqueles tempos em que também eu pontuava as bermas da estrada, a caminho da minha escola primária de apenas duas salas. É esta a imagem que associo a estas flores de que tanto gosto. Há dias, cheguei a casa e encontrei um ramo de meninas para a escola à minha espera. E souberam-me tão bem, depois de um dia longo de trabalho :)



Outro dos sinais inequívocos da chegada do outono é a pilha de abóboras que está encostada ao muro da minha casa. Todos os anos, por esta altura, há por aqui um ou mais posts sobre abóboras. E muitas receitas em que elas têm um papel central. Este ano não é exceção.


Outro sinal de outono: as groselhas, que caem dos ramos, de maduras. Tão bonitas! Achei que haviam de ficar bem na mesa, junto às abóboras hokkaido. E para o jantar, mais abóbora. Assada, cheia de especiarias, mesmo a saber a outono.



Deixo a primeira receita com abóbora da época. Aparecerão mais, certamente. É uma daquelas receitas mesmo fáceis, sem quantidades exatas, que cada um pode adaptar consoante as suas preferências.

Abóbora assada com especiarias
Ingredientes:
1 abóbora pequena (usei um pedaço da abóbora que podem ver na foto, a ser inspecionada pela Rita)
açúcar mascavado q.b.
canela, gengibre e cardamomo em pó q.b.
sal e pimenta preta q.b.
azeite q.b.



Preparação:
Cortar a abóbora em fatias da espessura de um dedo. Colocá-las num tabuleiro, untado com azeite.
Temperá-las com sal e pimenta, polvilhá-las com açúcar e especiarias a gosto e regá-las com um fio de azeite. Levar ao forno a 180 graus até estarem cozidas (o tempo dependerá da quantidade de abóbora, por isso deverão estar atentos para que não se desfaça). Servir as abóboras, a acompanhar um assado de carne. Cá em casa, acompanhou um entrecosto no forno bem suculento.






sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Sexta-feira. Memórias. E uma tarte salgada.

Sexta-feira à noite. Acabámos de jantar. O meu marido arruma a cozinha. Eu e o Manel fazemos o bolo do fim de semana. Estava pedido deste a semana passada. Bolo vegan, mãe! Tenho saudades! E hoje, quase no fim de um dia de trabalho, pensei naquele bolo. E no momento em que estaria, finalmente, em casa, com eles. Já estou. O bolo está no forno. E ele está aqui, ao meu lado, a lamber a espátula. E eu penso que é destes pedaços de vida que são feitas as memórias. E que daqui a uns anos, quando o meu Manel de agora seis anos for um homem, há de lembrar-se de estar na cozinha, com a mãe e o pai, a fazer bolo de chocolate, ao som desta música, e de, com a cara lambuzada, lamber a espátula suja de creme de chocolate e dizer, feliz, Tão bom!

A receita do jantar foi esta. E o acompanhamento foi esta tarte tatin de tomate cereja, uma receita de um dos blogues mais inspiradores que conheço.

Tarte tatin de tomate cereja


Ingredientes:


600 g de tomate cereja (ou o suficiente para preencher a tarteira)
1 rolo de massa folhada
2 colheres (de sopa) de vinagre balsâmico
2 colheres (de sopa) de açúcar
2 colheres (de sopa) de manteiga
2 colheres (de chá) de orégãos
Tomilho fresco q.b.


Preparação:
Pré-aquecer o forno a 200 graus.
Numa frigideira larga, derreter a manteiga e o açúcar. Quando começarem a caramelizar, juntar os tomates e deixar cozinhar 5 a 8 minutos. Polvilhar com orégãos e uma colher de açúcar. Temperar com sal e pimenta. Juntar o vinagre balsâmico e deixar reduzir cerca de 2 minutos. Colicar os tomates numa tarteira. Cobri-los com a massa folhada, aconchegando-a. 
Levar a tarte ao forno e deixá-la cozer 25 minutos ou até a massa folhada estar dourada. Findo esse tempo, retirá-la do forno e deixá-la descansar 5 minutos. Virá-la para um prato e guarnecê-la com folhas de tomilho. 


domingo, 5 de outubro de 2014

Celebrar o outono com um bolo de azeite

Ontem, acordei a pensar nele. Apeteceu-me aquele sabor em tons de dourado e aroma de canela. Raramente me acontece acordar a pensar em comida. Mas ontem, despertei a pensar no bolo de azeite que comemos nas férias no Alentejo. E, felizmente, ainda há desejos possíveis de realizar, que estão ao nosso alcance. 
De Monsaraz, trouxe este livro, para poder, ao longo do ano, matar um bocadinho as saudades daqueles dias. Entre as várias receitas, marquei logo esta. E o livro ficou pousado, na bancada da cozinha. Ontem, regressei a ele. E fiz o bolo. 
Este é um bolo de lanche ou pequeno-almoço, com uma textura semelhante à do pão de ló. Não é um bolo perfeito e bonitinho, de montra de pastelaria. É um bolo tosco e denso, daqueles que não atraem ao primeiro olhar, mas que acabam por se revelar bem melhores do que muitos daqueles que, sob uma camada de perfeição, a pouco sabem. No fundo, um bolo que nos mostra que nisto da pastelaria (e não só) nem sempre o que parece é. E há que dar uma oportunidade àquilo que não parece nada de especial e que pode valer muito a pena.
Este bolo pouco bonito combina muito bem com pequenos-almoços de fim de semana, com chávenas fumegantes de chá ou café ou copos de leite frio. E combina com outono e folhas que começam a cair das árvores e domingos com filmes pela tarde dentro. 
Motivados? Ainda vão a tempo de o fazer para o lanche de hoje. 

Bolo de azeite
(Ligeiramente adaptado de Saborear Azeite Dom Borba, Tiago Kalisvaart, Caminho das Palavras)


Ingredientes:
1 chávena (de chá) de azeite de boa qualidade
8 ovos
3 chávenas (de chá) de açúcar
3 chávenas (de chá) de farinha
1 chávena (de chá) de café
raspa de 1 limão
1 colher (de sobremesa) de canela moída
1 colher (de sobremesa, mal cheia) de fermento em pó
banha q.b. (usei manteiga)

Preparação:
Separar as gemas das claras. Bater as gemas com o açúcar, até obter um creme esbranquiçado. Juntar a raspa de limão, a canela, o azeite e o café frio. Bater tudo muito bem. Depois, adicionar a farinha e bater, até formar bolhas. 
Ligar o forno a 160 graus.
Noutra tigela, bater as claras em castelo e incorporá-las no restante preparado, envolvendo bem.
Untar a forma com manteiga ou banha e polvilhá-la com farinha. Verter a mistura para a forma e levar ao forno a cozer, durante cerca de 1 hora (para verificar a cozedura, fazer o teste do palito). Desenformar com a forma ainda bem quente.


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